Muito tem se falado sobre
a reforma política que se encontra em discussão no Congresso Nacional e
que visa aperfeiçoar o processo eleitoral para a escolha dos nossos
representantes. Um dos principais temas é a adoção do chamado voto
distrital para a eleição dos deputados (e até vereadores) em
substituição ao sistema proporcional atualmente em vigor. Contudo,
poucos sabem de que modo funcionaria esse sistema e quais seus
benefícios para a sociedade.
Sendo
assim, necessário se faz tecer, de maneira bem resumida, algumas
considerações e comparações acerca do sistema atual de escolha dos
deputados, chamado sistema proporcional, e o voto distrital. Primeiro
começo com uma simples pergunta: você lembra em quem votou na última
eleição para deputado federal ou estadual? Imagino que muitos, assim
como eu, terão uma certa dificuldade em lembrar ou simplesmente não
saberão responder.
Isso
se deve, em grande parte, ao imenso número de candidatos concorrentes
aos cargos de deputado. No caso do Ceará foram 757 candidaturas entre
deputados estaduais e federais na eleição de 2010. No vigente sistema
proporcional essa imensidão de candidatos é apresentada ao eleitor de
forma aglomerada no todos contra todos, fato que dificulta a escolha
pelo eleitor.
Diante
das intermináveis, enfadonhas e desorganizadas campanhas eleitorais
difundidas tanto no rádio como na televisão o debate dos problemas
regionais fica no esquecimento. Nesse cenário o eleitor, principalmente o
do interior do Estado, acaba por votar em gente que não conhece os
problemas de sua região e que não tem nenhum compromisso com o lugar
onde recebeu votos. Esses candidatos, não raro, só aparecem em época de
eleição, ludibriam o eleitor, ganha seu voto e, uma vez eleito, não pisa
mais naquela região até a próxima campanha eleitoral, esta é uma das
razões pela qual muitos eleitores não lembram em quais candidatos
votaram na ultima eleição. O pleito eleitoral nestes casos se torna um
círculo vicioso onde só quem perde é a população local que fica
esquecida e sem representação nas mais altas cúpulas de poder do País.
A
serra da Ibiapaba é exemplo e vítima deste mecanismo, embora seja
composta por várias cidades e tenha um grande número de eleitores não
possui nenhum representante oriundo da região na Assembléia Legislativa
do Estado do Ceará, nem tampouco na Câmara dos Deputados em Brasília.
Isso é péssimo! Não ter ninguém que nos represente nessas esferas do
poder é o mesmo que não ter voz ativa na busca por melhorias para a
região. A derrota na campanha para sediar a Universidade Federal da
Ibiapaba é prova disso.
O
sistema de eleição distrital visa minimizar esse problema uma vez que
com a adoção do voto distrital o Estado seria dividido em distritos e
cada distrito teria uma quantidade de vagas para os cargos de deputado
estadual e federal. A eleição ocorreria somente com candidatos daquela
região para preencher as vagas daquele distrito. Dessa forma espera-se
que os aspirantes a esses cargos públicos pertençam ou pelo menos
conheçam os problemas da região e sua gente. Com efeito, o eleitorado
conheceria melhor os candidatos, sua trajetória política, o seu grau de
comprometimento, enfim estaria mais próximo do seu representante podendo
cobrá-lo de maneira direta e mais eficiente as ações de interesse da
comunidade.
Imaginemos
que a Serra da Ibiapaba fosse um desses distritos. Isso nos daria a
certeza de que elegeríamos deputados estaduais e federais da nossa
região. Estes, por sua vez, estariam inevitavelmente comprometidos com
os nossos problemas e verdadeiramente nos representariam nas casas
legislativas, nas secretárias de estado, nos ministérios e onde mais
fosse necessário manifestar e defender os interesses ibiapabanos.
Taí uma boa razão para apoiar essa idéia.
Jornal Ibiapaba



















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