Na região Norte do País, foi registrada a menor desigualdade entre os sexos no que diz respeito aos rendimentos médios
FOTO: JOSÉ LEOMAR
Com qualificação superior, elas ainda ganham menos, mas desigualdade histórica tem sido reduzida
Ainda
que de modo lento, a desigualdade salarial entre homens e mulheres foi
atenuada, no Ceará, entre 2000 e 2010. É o que aponta o Censo 2010
divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística),
afirmando que, no ano de 2000, elas ganhavam o equivalente a 75% do
rendimento dos homens e, em 2010, avançaram para 82% dessa participação,
uma evolução de 7 pontos percentuais.
"Melhorou, mas ainda muito
lentamente", analisa o economista Ediran Teixeira, do Dieese-CE
(Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).
Ele
frisa que, para diminuir as desigualdades históricas e enraizadas na
sociedade, a saída das mulheres é buscar um nível de qualificação acima
do masculino. "Elas têm mais anos de estudo, e continuam ganhando menos.
Muitas vezes, estão no mesmo cargo de um homem e recebem menores
salários", ressalta.
No Nordeste
Em
outros estados do Nordeste, a razão entre os rendimentos delas e os
deles é superior em relação ao Ceará. A menor desigualdade é no Piauí,
estado em que as mulheres dispõem de uma renda que representa 86,2% da
dos homens. Paraíba (86,1%), Alagoas (85,3%), Sergipe e Maranhão (ambos
com 84,4%) também são destaques.
Acima da Bahia
A
Bahia é a única unidade da federação em que o público trabalhador
feminino fica aquém do cearense. Lá, elas têm rendimentos de 80,6% em
relação ao sexo oposto.
A cultural diferença ainda se mantém,
defende Teixeira, porque os homens continuam sendo, de modo
predominante, os chefes. "Eles são os donos do capital. Quando uma
quantidade maior de mulheres se tornar chefes, presidentes de empresas,
donas de empreendimentos, isso tende a diminuir mais. No entanto, só se
pode pensar em igualdade em um longo prazo", diz, estimando cerca de 40
para haver uma aproximação trabalhista mais sólida entre os sexos no
Ceará.
Rendimentos médios
Os dados do Censo 2010 ainda confirmam os baixos rendimentos da população do Estado.
Em
média, os domicílios contam com uma renda de R$ 1.656, valor que, no
País, fica acima somente do Maranhão (R$ 1.484), Piauí (R$ 1.560) e
Alagoas (R$ 1.626), o que prova a má posição do Nordeste diante das
demais regiões. No intervalo de dez anos, o rendimento médio do Nordeste
passou de R$ 1.361 para R$ 1.708. No Sudeste, o avanço foi de R$ 2.812
para R$ 3.122. Em relação às outras unidades da federação, a diferença é
gritante. Em São Paulo, os ganhos médios por domicílio são mais que o
dobro dos registrados no Ceará: R$ 3.464.
Ganho feminino médio é R$ 1.115
São Paulo.
O estudo do IBGE apontou que entre 2000 e 2010 o rendimento médio real
das mulheres brasileiras passou de R$ 982 para R$ 1.115, crescimento de
13,5% no período. O salário dos homens, por sua vez, cresceu 4,1%,
passando de R$ 1.450 para R$ 1.510 no mesmo intervalo de tempo.
Apesar
do aumento registrado, elas ainda ganham menos que eles. Em 2010, a
mulher passou a ganhar 73,8% do salário do homem; em 2000, esse
percentual era 67,7%.
No geral, a média salarial dos
trabalhadores, incluindo os dois sexos, cresceu 5,5%, passando de R$
1.275 em 2000 para R$ 1.345 dez anos depois.
Sul
O
Sul foi a região que apresentou os menores percentuais de rendimento
médio do trabalho feminino em relação aos rendimentos dos homens,
passando de 63,2% em 2000 para 69,0% em 2010.
Maior igualdade
No
outro extremo, ficou a Região Norte, onde o rendimento médio de
trabalho da mulher passou de 74,6% para 82,3% do trabalho masculino.
Entre
os estados brasileiros, no ano de 2010, o Amapá deteve o maior
percentual do rendimento médio de trabalho das mulheres em relação ao
obtido pelos homens (88,6%).
Santa Catarina ficou com o menor,
com as mulheres ganhando o equivalente a apenas 67,4% do rendimento
médio de trabalho masculino.
Um terço do País recebe um Mínimo
São Paulo. Um em cada três brasileiros recebia apenas um salário mínimo por mês em 2010, apontou o censo divulgado ontem pelo IBGE.
De
acordo com o a pesquisa, 32,7% da população brasileira viviam com o
montante de R$ 510 mensais, salário mínimo vigente na época. A pesquisa
também apontou que 6,6% da população sobreviviam sem rendimento médio
mensal ou com rendimento inferior a 25% do salário mínimo
(aproximadamente de R$ 130).
Altos salários
Na
outra ponta, o percentual de trabalhadores que recebiam mais de dez
salários mínimos foi de 3,1%. A parcela com rendimento acima de 20
salários mínimos foi ainda menor, atingindo somente 0,9% da população
ocupada brasileira.
Na divisão regional, o Norte e Nordeste
apresentaram os maiores percentuais de pessoas sem rendimento (11,9% e
13,6%, respectivamente).
Piores índices
Nessas
regiões, também é maior o número de trabalhadores ganhando até um
salário mínimo por mês, indica o IBGE. No Norte, 41,6% da população
recebiam até um salário mínimo. No Nordeste, esse percentual sobe para o
patamar de 51,2%, ou seja, mais da metade.
Os trabalhadores do
Centro-Oeste e do Sudeste foram os que tiveram as maiores remunerações,
com rendimento médio mensal de R$ 1.579 e R$ 1.512, respectivamente.
Os
rendimentos mais baixos foram encontrados na região Nordeste, onde o
trabalhadores recebiam em média R$ 946 por mês. No Norte, a média mensal
em 2010 foi de R$ 1.128.
Pessoal ocupado
O
percentual de pessoas ocupadas no país subiu de 47,9% em 2000 para
53,3% em 2010. Na comparação regional, o Sul se manteve como a região
com o maior percentual de trabalhadores ocupados.
Regiões
O
nível de ocupação na região passou do patamar de 53,5% em 2000 para
60,1% dez anos depois. No Nordeste, o levantamento do IBGE verificou o
menor nível de ocupação no período de dez anos, passando de 43,6 para
47,2%. No Norte do País, a taxa de profissionais ocupados, que era de
cerca de 45% em 2000, subiu para o nível de 49,4% no ano de 2010.
Entre
as unidades da federação, destaque para a taxa de ocupação verificada
em Santa Catarina (que foi de 63,1%), Rio Grande do Sul (59,3%), Paraná
(59,2%) e Distrito Federal (59,0%). Os mais baixos níveis da ocupação
foram os de Alagoas (com 44,0%) e do Maranhão (44,9%).
No nordeste
51,2
por cento dos nordestinos ganhavam, em 2010, até um salário mínimo,
que, na época, valia R$ 510. No Norte, índice era de 41,6%
VICTOR XIMENES
REPÓRTER
Diário do Nordeste