terça-feira, 27 de março de 2012

Torcedores ficam impunes depois da baderna nas ruas em Fortaleza

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Torcedores do Fortaleza foram detidos pela PM quando apedrejavam veículos na BR-116. Os acusados foram conduzidos ao 30º DP e liberados
FOTO: WALESKA SANTIAGO
No dia seguinte aos incidentes, nenhum dos acusados foi localizado nas delegacias. Todos acabaram sendo soltos

´Arrastões´ nas principais avenidas da Capital, tiroteio, depredação nos terminais de passageiros e em dezenas de ônibus, viaturas da Polícia Militar danificadas, armas roubadas e dois guardas municipais baleados.

As cenas de violência citadas acima foram protagonizadas no último domingo por torcedores do Ceará e do Fortaleza, antes e depois da partida no Estádio Presidente Vargas, no bairro Benfica. No dia seguinte, porém, nenhum acusado de envolvimento na bagunça e nos crimes contra a vida e ao patrimônio público amanheceu preso. Mesmo aqueles que foram detidos pela PM nas ruas e conduzidos às delegacias plantonistas, acabaram sendo liberados horas depois.

Impunidade

Durante todo o dia de ontem, a Reportagem percorreu as delegacias da Polícia Civil responsáveis pelo recebimento dos torcedores envolvidos nos incidentes. Em nenhuma delas havia registro de prisões e autuações em flagrante delito.

No 30º DP (Conjunto São Cristóvão), para onde foram conduzidos cerca de 50 torcedores do Fortaleza, nenhum foi encontrado. O delegado titular daquela distrital da RMF , delegado Marcelo Moura, não foi localizado pela Reportagem.

Segundo o diretor do Departamento de Polícia Metropolitana (DPM), delegado Harley Alencar, foram lavrados Boletins de Ocorrência (B.O.), mas, como nenhuma vítima se apresentou na delegacia, não foi possível a autuação em flagrante dos acusados. "Foram encontradas com eles (torcedores) várias pedras, mas não ficou caracterizada, dentro da contextualização jurídica, nenhuma prática criminosa que gerasse um procedimento como inquérito ou T.C.O. (Termo Circunstanciado de Ocorrência)", assegurou o diretor.

Ainda no domingo à noite, o comandante da Companhia Independente de Policiamento de Eventos (CIPE), major PM George Benício, informou ao Diário do Nordeste, que o grupo foi detido quando apedrejava veículos e agredia transeuntes na BR-116.

Já na Avenida Bezerra de Menezes, no bairro São Gerardo, viaturas do Ronda do Quarteirão tiveram que ser acionadas para conter um grupo de torcedores que praticou ´arrastão´, deixando várias vítimas sem suas bolsas, celulares, carteiras e outros objetos. Ninguém foi preso.

Depredações

O incidente considerado mais grave aconteceu antes da partida, quando dois guardas municipais foram atingidos a tiros durante um conflito entre torcedores dos dois times no Terminal de Passageiros do Antônio Bezerra (zona oeste da Capital). No mesmo incidente, um policial militar teve sua arma furtada.

Em comunicado à Imprensa, no fim da tarde de ontem, a Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor) informou oficialmente que 24 ônibus foram depredados pelos torcedores.
Muitos veículos tiveram janelas e vidros quebrados, as entradas de ar danificadas e os para-brisas trincados. Já estão sendo feitos os devidos reparos nos coletivos a fim de não prejudicar a população", informa o órgão.

"Isto pode ter sido só uma prévia do que poderá acontecer nos próximos jogos, principalmente se os dois times forem para a decisão do campeonato, com mais acirramento", disse um oficial da Polícia Militar ao ser ouvido ontem sobre o caso.

Violência
Confronto entre torcedores e seguranças ocorreu no Terminal de Antônio Bezerra. Dois guardas municipais foram baleados

Arrastões ocorreram em várias avenidas da Capital. Na Bezerra de Menezes, transeuntes foram vítimas de roubo e agressão física

Vinte e quatro ônibus foram apedrejados e tiveram vidros e janelas destruídos, segundo a Etufor

Dentro do Estádio Presidente Vargas, vários torcedores foram flagrados consumindo drogas ilícitas, como maconha e cocaína

viaturas do Ronda do Quarteirão e do Policiamento Ostensivo Geral (POG) também foram apedrejadas durante a escolta das organizada

FERNANDO RIBEIRO
EDITOR DE POLÍCIA

Diário do Nordeste

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