segunda-feira, 5 de março de 2012

Internacional: Putin vence eleições presidenciais na Rússia

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Alheio aos protestos dos opositores de fraudes no pleito, Putin comemora votação
FOTO: REUTERS
O líder russo retorna à Presidência, cargo que abandonou em 2008 para assumir a função de primeiro-ministro
Moscou. Vladimir Putin obteve uma retumbante vitória nas eleições presidenciais da Rússia, ontem, com mais de 60% dos votos. Com isto, ele assegura um novo mandato de seis anos para assumir o Kremlin e para lidar com os protestos de oposição, que após a votação acusou de ter sido fraudada.

Duas pesquisas de boca de urna da televisão, divulgadas após o término da votação, davam vitória ao primeiro-ministro por 59,3 e 58,3 por cento dos votos. Até o fechamento desta edição, a Comissão Eleitoral Central havia apurado 60% das urnas com 64,4% de votos dados a Putin.

Oposição

O seu rival mais próximo, o líder do Partido Comunista, Gennady Zyuganov, ficou abaixo de 20 por cento dos votos no pleito. Zyuganov disse que seu partido não reconheceria os resultados oficiais da eleição, chamando-a de "ilegítima, desonesta e não transparente".

Putin descartou rapidamente as acusações de fraude, que serão repetidas pela oposição em protestos que começam nesta segunda-feira. "Esta é a eleição mais limpa em toda a história da Rússia", disse o chefe da campanha de Putin, Stanislav Govorukhin. "As violações que nossos rivais e os opositores do presidente falarão agora são risíveis". Os resultados oficiais da maior parte dos colégios eleitorais são esperados hoje.

Uma multidão enorme, em sua maioria de jovens apoiadores de Putin, se reuniu ontem à noite em uma praça do lado de fora do Kremlin, acenando bandeiras russas. Espera-se também que o ex-espião da KGB retorne ao Kremlin com duros discursos de luta contra o Ocidente, uma marca registrada de seu primeiro mandato como presidente e nas campanhas eleitorais. Economistas dizem que o principal teste da volta de Putin ao governo seria ver o quão longe ele estaria disposto a ir para reformar uma economia extremamente dependente em exportação de energia.

Os opositores do candidato eleito disseram que a votação em muitas partes do vasto país foram "enviesadas" para seu favor e juraram continuar com os maiores protestos vistos desde que ele chegou ao poder, há 12 anos. "Nós não consideramos estas eleições legítimas", disse um dos líderes dos protestos de oposição, Vladimir Ryzhkov, que planeja um novo comício contra Putin hoje em Moscou.

Observadores apontaram fraude no processo eleitoral, que permitirá o retorno de Putin ao Kremlin, após uma pausa de quatro anos, em um ambiente de impugnação que não era visto há uma década. Os centros de votação abriram às 20h de sábado (17h de Brasília) no Extremo Oriente russo e fecharam às 17h (14h de Brasília) em Kaliningrado, no extremo oeste do país. Cerca de 109 milhões de eleitores estavam registrados para votar na Rússia, país com nove fusos horários.

Putin - que já aparecia como grande favorito na últimas pesquisas, com cerca de 60% dos votos- votou ao meio-dia na capital, acompanhado por sua esposa Liudmila, que não costuma fazer aparições públicas.

"Dormi bem, pratiquei um pouco de esporte e vim aqui", declarou o homem forte da Rússia, que aspira recuperar a Presidência, que abandonou em 2008 para assumir o cargo de primeiro-ministro, já que não podia concorrer a um terceiro mandato consecutivo.

Protesto

Pouco depois, três militantes feministas do movimento ucraniano Femen se manifestaram com os seios à mostra ao grito de "Putin ladrão" diante da urna na qual Putin havia introduzido sua cédula de votação. Elas foram detidas pela polícia.

Putin enfrentou quatro candidatos: o comunista Guenadi Ziuganov (segundo nas pesquisas, com percentual que varia entre 15 e 20% dos votos), o populista Vladimir Jirinovski, o milionário Mikhail Projorov, novo na política, e o centrista Sergei Mironov. Mas nenhum atacou frontalmente o ex-agente da KGB e nenhum candidato da oposição radical foi autorizado a se apresentar.

Fraude

Os representantes de alguns oposicionistas, as entidades de observação eleitoral Golos e a Liga de Eleitores, assim como meios independentes, apontaram muitas fraudes. Ziuganov considerava que, se Putin conquistasse um resultado de 60%, seria a prova de que a votação foi fraudada: "Qualquer pessoa razoável entende que é impossível sem recorrer à fraude, sem roubar votos", declarou após votar.
 
Diário do Nordeste

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