sábado, 28 de abril de 2012

Renda da mulher cresce, mas é 82% da masculina

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Na região Norte do País, foi registrada a menor desigualdade entre os sexos no que diz respeito aos rendimentos médios
FOTO: JOSÉ LEOMAR
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Com qualificação superior, elas ainda ganham menos, mas desigualdade histórica tem sido reduzida

Ainda que de modo lento, a desigualdade salarial entre homens e mulheres foi atenuada, no Ceará, entre 2000 e 2010. É o que aponta o Censo 2010 divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), afirmando que, no ano de 2000, elas ganhavam o equivalente a 75% do rendimento dos homens e, em 2010, avançaram para 82% dessa participação, uma evolução de 7 pontos percentuais.

"Melhorou, mas ainda muito lentamente", analisa o economista Ediran Teixeira, do Dieese-CE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

Ele frisa que, para diminuir as desigualdades históricas e enraizadas na sociedade, a saída das mulheres é buscar um nível de qualificação acima do masculino. "Elas têm mais anos de estudo, e continuam ganhando menos. Muitas vezes, estão no mesmo cargo de um homem e recebem menores salários", ressalta.

No Nordeste

Em outros estados do Nordeste, a razão entre os rendimentos delas e os deles é superior em relação ao Ceará. A menor desigualdade é no Piauí, estado em que as mulheres dispõem de uma renda que representa 86,2% da dos homens. Paraíba (86,1%), Alagoas (85,3%), Sergipe e Maranhão (ambos com 84,4%) também são destaques.

Acima da Bahia

A Bahia é a única unidade da federação em que o público trabalhador feminino fica aquém do cearense. Lá, elas têm rendimentos de 80,6% em relação ao sexo oposto.

A cultural diferença ainda se mantém, defende Teixeira, porque os homens continuam sendo, de modo predominante, os chefes. "Eles são os donos do capital. Quando uma quantidade maior de mulheres se tornar chefes, presidentes de empresas, donas de empreendimentos, isso tende a diminuir mais. No entanto, só se pode pensar em igualdade em um longo prazo", diz, estimando cerca de 40 para haver uma aproximação trabalhista mais sólida entre os sexos no Ceará.

Rendimentos médios

Os dados do Censo 2010 ainda confirmam os baixos rendimentos da população do Estado.

Em média, os domicílios contam com uma renda de R$ 1.656, valor que, no País, fica acima somente do Maranhão (R$ 1.484), Piauí (R$ 1.560) e Alagoas (R$ 1.626), o que prova a má posição do Nordeste diante das demais regiões. No intervalo de dez anos, o rendimento médio do Nordeste passou de R$ 1.361 para R$ 1.708. No Sudeste, o avanço foi de R$ 2.812 para R$ 3.122. Em relação às outras unidades da federação, a diferença é gritante. Em São Paulo, os ganhos médios por domicílio são mais que o dobro dos registrados no Ceará: R$ 3.464.

Ganho feminino médio é R$ 1.115

São Paulo. O estudo do IBGE apontou que entre 2000 e 2010 o rendimento médio real das mulheres brasileiras passou de R$ 982 para R$ 1.115, crescimento de 13,5% no período. O salário dos homens, por sua vez, cresceu 4,1%, passando de R$ 1.450 para R$ 1.510 no mesmo intervalo de tempo.

Apesar do aumento registrado, elas ainda ganham menos que eles. Em 2010, a mulher passou a ganhar 73,8% do salário do homem; em 2000, esse percentual era 67,7%.

No geral, a média salarial dos trabalhadores, incluindo os dois sexos, cresceu 5,5%, passando de R$ 1.275 em 2000 para R$ 1.345 dez anos depois.

Sul

O Sul foi a região que apresentou os menores percentuais de rendimento médio do trabalho feminino em relação aos rendimentos dos homens, passando de 63,2% em 2000 para 69,0% em 2010.

Maior igualdade

No outro extremo, ficou a Região Norte, onde o rendimento médio de trabalho da mulher passou de 74,6% para 82,3% do trabalho masculino.

Entre os estados brasileiros, no ano de 2010, o Amapá deteve o maior percentual do rendimento médio de trabalho das mulheres em relação ao obtido pelos homens (88,6%).

Santa Catarina ficou com o menor, com as mulheres ganhando o equivalente a apenas 67,4% do rendimento médio de trabalho masculino.

Um terço do País recebe um Mínimo

São Paulo. Um em cada três brasileiros recebia apenas um salário mínimo por mês em 2010, apontou o censo divulgado ontem pelo IBGE.

De acordo com o a pesquisa, 32,7% da população brasileira viviam com o montante de R$ 510 mensais, salário mínimo vigente na época. A pesquisa também apontou que 6,6% da população sobreviviam sem rendimento médio mensal ou com rendimento inferior a 25% do salário mínimo (aproximadamente de R$ 130).

Altos salários

Na outra ponta, o percentual de trabalhadores que recebiam mais de dez salários mínimos foi de 3,1%. A parcela com rendimento acima de 20 salários mínimos foi ainda menor, atingindo somente 0,9% da população ocupada brasileira.

Na divisão regional, o Norte e Nordeste apresentaram os maiores percentuais de pessoas sem rendimento (11,9% e 13,6%, respectivamente).

Piores índices

Nessas regiões, também é maior o número de trabalhadores ganhando até um salário mínimo por mês, indica o IBGE. No Norte, 41,6% da população recebiam até um salário mínimo. No Nordeste, esse percentual sobe para o patamar de 51,2%, ou seja, mais da metade.

Os trabalhadores do Centro-Oeste e do Sudeste foram os que tiveram as maiores remunerações, com rendimento médio mensal de R$ 1.579 e R$ 1.512, respectivamente.

Os rendimentos mais baixos foram encontrados na região Nordeste, onde o trabalhadores recebiam em média R$ 946 por mês. No Norte, a média mensal em 2010 foi de R$ 1.128.

Pessoal ocupado

O percentual de pessoas ocupadas no país subiu de 47,9% em 2000 para 53,3% em 2010. Na comparação regional, o Sul se manteve como a região com o maior percentual de trabalhadores ocupados.

Regiões

O nível de ocupação na região passou do patamar de 53,5% em 2000 para 60,1% dez anos depois. No Nordeste, o levantamento do IBGE verificou o menor nível de ocupação no período de dez anos, passando de 43,6 para 47,2%. No Norte do País, a taxa de profissionais ocupados, que era de cerca de 45% em 2000, subiu para o nível de 49,4% no ano de 2010.

Entre as unidades da federação, destaque para a taxa de ocupação verificada em Santa Catarina (que foi de 63,1%), Rio Grande do Sul (59,3%), Paraná (59,2%) e Distrito Federal (59,0%). Os mais baixos níveis da ocupação foram os de Alagoas (com 44,0%) e do Maranhão (44,9%).

No nordeste

51,2 por cento dos nordestinos ganhavam, em 2010, até um salário mínimo, que, na época, valia R$ 510. No Norte, índice era de 41,6%

VICTOR XIMENES
REPÓRTER
 
Diário do Nordeste

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